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Vinícius
Um garoto apresentando problemas neurológicos diagnosticados muito cedo. Mas na fase escolar tudo se agravou, pois sofria com "ausências cerebrais e epilepsia" o que atrapalhava muito no desenvolvimento cognitivo, emocional e social.A mãe nos procurou já cansada de assistir em outras escolas ele afastado do convívio da sala de aula, pois ele desmaiava e não poderia estar junto aos demais.Neste caso o que mais me chamou a atenção foi o fato dele vir transferido de uma escola de cunho “religioso" (escolas desse padrão devem cumprir seu papel unindo o lado espiritual com o educacional).
Os pais muito dedicados sempre seguirão as orientações e procuraram os profissionais orientados pelas escolas anteriores: fonoaudiólogo, psicólogo, psicopedagogo,(neurologista).O que pude observar naquele curto relato é que em uma sessão de "empurra", Vinícius era sobrecarregado de atividades que não lhe trazia desenvolvimento e muito menos felicidade.
Pedi à mãe que deixasse o garoto em minha escola em caráter experimental, não efetuasse a matrícula, pois acredito que a criança sempre demonstra com atitudes e palavras o sentimento experimentado nos poucos dias por aqui.Mas nem um dia foi preciso, ele amou a escola e pediu para ficar!
Nada prometemos a não ser atenção, amor e dedicação. Pedi à mãe que diminuísse os profissionais envolvidos, pois minha intuição dizia que ele precisava de pessoas normais que o amassem e respeitassem suas limitações.Sabia dos desmaios e dos ataque epiléticos, das dificuldades que ele teria em aprender.Mas precisávamos ver o Vinícius feliz, participando junto aos demais amigos de sala de todas as atividades sem ser afastado por ser “diferente”.Estar presente, ser da turma, ser alguém, ser importante para alguém.Suas limitações não o impediram de realizar seus trabalhos, foi aprendendo muito lentamente, mas aprendia e era feliz.
A professora Wanessa foi muito importante neste processo, pois a cada "ausência ou ataque" (que acontecia muitas vezes no período escolar, de(3) três a (6)seis vezes em apenas uma tarde) ela precisava estar próxima e ajudá-lo a recobrar os sentidos para voltar às atividades.Com todo carinho, naquele momento delicado ele o acolhia e o fazia retornar a cena principal “viver", ela o trazia novamente frente suas atividades e se fosse preciso iniciava seu procedimento de ensinar para que ele nem percebesse o ocorrido minutos atrás e apenas se ocupasse em aprender.
No segundo ano em nossa escola, (agora com a professora Ingrid), os cuidados e atenção foram reforçados, a mãe era convocada a participar de reuniões na escola e juntamente procedia com o mesmo trabalho em sua casa: dedicação, amor e compreensão.
Não colocar mais peso no que já era difícil para família foi a primeira decisão.Aumentar os aspectos positivos do Vinícius, pedir ajuda para ele; sim, ele constantemente era eleito o ajudante da professora.Tinha importância para nós!
Toda família pôde perceber a mudança de comportamento, ele queria aprender e queria melhorar, melhorou muito!Conquistou amigos, brincava e recuperava o tempo perdido, atitude comum em todos nós seres humanos!
O aluno quando apresenta qualquer sintoma de infelicidade, insatisfação grita por ajuda.Pede auxilio e sempre, sempre somos nós que precisamos mudar o nosso comportamento e nossas atitudes para que ele possa reagir melhor.
Hoje Vinícius não estuda mais em minha escola, juntos (família e escola) pudemos encontrar um local onde ele pudesse desenvolver mais que somente habilidades cognitivas, um local onde ele desenvolve atividades de TO (terapia ocupacional) ideal para casos como o de Vinícius, mas sei que o progresso acontecerá natural, pois a mudança veio dos pais e dos adultos envolvidos no processo educativo.
Queremos que ele desenvolva todo o seu potencial, sendo o que pode ser e o que ele veio ser neste mundo... Um Vinícius Feliz!
Atenciosamente,
Denise Moreno Martins |